Guardo tuas coisas para uma viagem
(em que tempo?), em que vagão viajaremos — e as janelas:
abertas pr’uma paisagem verde…!? Guardo tuas coisas para uma viagem,
(em que modo?):
no modo presente,
no modo advérbio, passado —
passam, passam coisas,
que os meus dedos aos lábios,
de uma mão perfeitamente trêmula,
cantam uma canção distante:
silêncio.
Guardo tuas coisas para uma viagem,
(em que vontades?): pois se me fugiram os cavalos meus,
arrebentados todos os trens,
mortos os condutores de todos os carros,
naufragadas todas as jangadas, e o mar,
brutalmente mar,
mesmo assim,
as coisas tuas guardadas, fiel —
(onde?):
navegar é possível.
Soares Feitosa