Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

Manoel de Barros

Quando escrevi este poema

Quando escrevi este poema

Dei férias à morte

Libélulas pousaram em meus ombros

A ausência era a concretude de relâmpagos

De Sol

 

Dormíamos todos resignados

Sobre fenos e sombras suaves

Chuvas de dias intermináveis

Jorge Andrade