Arquivo | novembro 2014

Os deslimites da palavra

Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

Manoel de Barros

Quando escrevi este poema

Quando escrevi este poema

Dei férias à morte

Libélulas pousaram em meus ombros

A ausência era a concretude de relâmpagos

De Sol

 

Dormíamos todos resignados

Sobre fenos e sombras suaves

Chuvas de dias intermináveis

Jorge Andrade