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Tempo

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“Que boca há de roer o tempo? Que rosto

Há de chegar depois do meu? Quantas vezes

O tule do meu sopro há de pousar

Sobre a brancura fremente do teu dorso?

 

Atravessaremos juntos as grandes espirais

A artéria estendida do silêncio, o vão

O patamar do tempo?

 

Quantas vezes dirás: vida, vésper, magna-marinha

E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas

Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas

Sem poder tocar-te. Quantas vezes, amor

 

Uma nova vertente há de nascer em ti

E quantas vezes em mim há de morrer. “

 

 

Hilda Hilst

Aprendo

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“Eu te amo, homem, hoje como toda vida quis e não sabia, eu que já amava de extremoso amor o peixe, a mala velha, o papel de seda e os riscos de bordado, onde tem o desenho cômico de um peixe — os lábios carnudos como os de uma negra.”

“Divago, quando o que quero é só dizer te amo.”

“Dize-me, ó amado da minha alma, onde apascentas o teu gado, onde repousas ao meio-dia, para que eu não ande vagueando atrás dos rebanhos de teus companheiros”.

 “Aprendo. Te aprendo, homem. O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória, imperecível.

“Eu te amo, homem, exatamente como amo o que acontece quando escuto oboé. Meu coração vai desdobrando os panos, se alargando aquecido, dando a volta ao mundo, estalando os dedos pra pessoa e bicho.”

Adélia Prado – Para o Zé.

“O que a memória amou fica eterno”