Condenação

 

“Poeta condenado por amar demais!” —
faltou essa manchete
nos jornais.
E ao tanto cantar
amor apenas
escancarou ao mundo
sonhos, penas.
Gente
que sente, máquina não,
ousou,
soltou
a fantasia,
o coração…
que se quebrou
em mil versos,
dispersos
como jogos,
como fogos
ou cometas
estrelas cintilantes
a iluminar
amantes.
Palavras ditas,
chamas escritas…
Mas ao tanto o amor cantar
e assim se dar,
esteta,
começou a incomodar os con-
formados…
E condenado foi
a amor não ter,
a ser sozinho
ou
a só Ser…
Poeta. 
 Maju Costa