Arquivo | fevereiro 2011

Via appia

Pedras não piso, apenas:
– mas as próprias mãos que aqui as colocaram,
o suor das frontes e as palavras antigas.

Ruínas não vejo, apenas:
– mas os mortos que aqui foram guardados,
com suas coragens e seus medos da vida e da morte.

Viver não vivo, apenas:
– mas de amor envolvo esta brisa e esta poeira,
eu também futura poeira noutra brisa.

Pois não sou esta, apenas:
– mas a de cada instante humano,
em todos os tempos que passaram. E até quando?

Cecilia Meireles