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Condenação

 

“Poeta condenado por amar demais!” —
faltou essa manchete
nos jornais.
E ao tanto cantar
amor apenas
escancarou ao mundo
sonhos, penas.
Gente
que sente, máquina não,
ousou,
soltou
a fantasia,
o coração…
que se quebrou
em mil versos,
dispersos
como jogos,
como fogos
ou cometas
estrelas cintilantes
a iluminar
amantes.
Palavras ditas,
chamas escritas…
Mas ao tanto o amor cantar
e assim se dar,
esteta,
começou a incomodar os con-
formados…
E condenado foi
a amor não ter,
a ser sozinho
ou
a só Ser…
Poeta. 
 Maju Costa
 
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Para não esquecer

“ — Teu nome será Nevers, Nevers na França..
— E o teu será Hiroshima…”
(Margueritte Duras, em “Hiroshima, mon amour”)

Eu te reencontro, amor-de-ontem
no fundo de minha alma
e te escuto ao telefone —
mesma voz doce-calma,
pura ternura.

…E não sei a quem pedir perdão,
a quem traí
quando parti,
que ao partir, parti-me.
Por anos-luz vagueei
perdendo-te,
perdendo-me.

Hoje relembro a alegria,
o teu riso,
milhões de guisos
ao acordar-me o dia.
o desjejum que fazias,
o amor-prazer tranquilo,
nossa elegia.
Eu então nada escrevia,
só vivia.

E te retiro  do esquecimento,
refaço-me do sofrer.
Hoje o passado eu canto
para o presente viver
ou escolher…
E te nomeio Nevers,
o jovem amor-encanto,
que eu, Hiroshima,
não mais vou esquecer.

Maju Costa

Jardinagem

diaadia706.jpg 

    me desenha
    entre teus dedos,
    carpe
    meus cabelos,
    me nivela os montes
    bebe em minhas fontes
    me revira o solo
    me sacia a fome
    planta no meu colo
    e molha, com-
    e…
    então, sem suor,
    colhe
    o meu amor.
     Maju Costa