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O Verbo no Infinito

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer de tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito…

Vinícius de Moraes

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Serenata do adeus

ondas.jpg

Ai, a lua que no céu surgiu
Não é a mesma que te viu
Nascer dos braços meus…
cai a noite sobre o nosso amor
E agora só restou do amor
Uma palavra: adeus…

Ai, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora…
Ai, que amor é se ir morrendo
Pela vida afora
É refletir na lágrima
O momento breve
De uma estrela pura
cuja luz morreu…

Ò mulher, estrela a refulgir
Parte, mas antes de partir
Rasga o meu coração…
crava as garras no meu peito em dor
E esvai em sangue todo o amor
Toda a desilusão…

Ah, vontade de ficar
Mas tendo de ir embora…
Ai, que amar é se ir morrendo
Pela vida afora
É refletir na lágrima
O momento breve
De uma estrela pura
cuja luz morreu
Numa noite escura
Triste como eu…

Vinícius de Moraes